sábado, 14 de janeiro de 2017

Os filmes do Wolverine

Nesta matéria, tratarei dos filmes solo do personagem Wolverine, não só os dois já lançados no cinema, mas também fazer uma “prévia” de Logan, que será provavelmente, o último filme de Hugh Jackman interpretando o personagem. Então, comecemos.

X-Men Origens Wolverine

X-Men Origens Wolverine é um filme de 2009, sendo o quarto filme da franquia X-Men e o primeiro solo de Wolverine. A Fox ficou encarregada da produção, tendo sido dirigido por Gavin Hood. A ideia era contar os dias de Wolverine antes de entrar para os X-Men.

Hqs que serviram de inspiração
- Origem

Origem foi uma minissérie de 6 números, lançada em 2001. Três roteiristas partilharam a autoria, sendo eles Bill Jemas, Joe Quesada e Paul Jenkins. O artista foi Andy Kubert, com cores de Richard Isanove.
A minissérie se passa por completo no século XIX, onde vemos Wolverine ainda criança, e sendo chamado de James Howllet, seu nome de batismo. Além de, obviamente, seus pais, somos apresentados a outros personagens, como o Cão e seu pai, Logan, que é coincidentemente muito parecido com o Wolverine mais velho, já conhecido do público.
Depois do assassinato do pai de James por parte de Logan, o poder de Wolverine desperta, garras de osso. Ele mata Logan e foge de casa com Rose. Ao fugir, chegam num local para trabalhar, onde James e Rose descobrem que ele possui outro poder: fator de cura. Seu nome é mudado para Logan, para que não fosse reconhecido como um membro da família Howllet.
Na minha opinião, é uma hq mediana, que cumpriu seu papel de contar os dias iniciais de Wolverine, ao mesmo tempo que no fim acabou apelando para situações muito previsíveis, que poderiam ter desfechos mais satisfatórios.s grandes perdas de sua vida.

- Arma X

Nesta hq, somos apresentados a Logan, um homem atormentado que acaba sendo sequestrado por uma misteriosa organização. Mal sabia ele que sua vida mudaria para sempre. Logan é submetido a um teste que levará suas habilidades mutantes ao extremo, na tentativa de um grupo de cientistas de torna-lo a arma perfeita, fundindo adamantium em seus ossos e tentando controlá-lo.
Além de Logan, temos personagens novos, como os três principais cientistas responsáveis pela experiência: O Professor, Carol Hines e Dr. Cornelius. Também foi uma das primeiras hqs a realmente tentar algo concreto com a origem de Wolverine, neste caso, a origem de suas garras e esqueleto de adamantium.
Ao contrário de Origem, Arma X é um clássico. O trabalho de Barry Windsor-Smith é fantástico ainda para os dias de hoje, principalmente no que diz respeito a arte.

- O Time X

O Time X era um grupo de operações especiais que trabalhava para a CIA, composto por Wolverine, Dentes de Sabre, Mastodon, Maverick, Major Arthur Barrington, Raposa Prateada, Noel Higgins, Aldo Ferro e John Wraith. Essa equipe apareceu em algumas histórias de Wolverine, em especial na sua mensal que começou em 1988, geralmente remetendo ao passado do mutante, que teve várias pequenas “pistas” ao longo desses anos.

O Filme
- Enredo
No início de X-Men Origens Wolverine, temos uma situação muito parecida com a da hq. O pai é assassinado, James reage e mata o assassino. Porém, o assassino tem aparência semelhante a Dentes de Sabre e diz ser pai de James. Ele foge com o Cão, que, na verdade, é Victor Creed, o Dentes de Sabre. Essa foi a primeira mudança em relação aos quadrinhos, já que Cão não é Dentes de Sabre, e sim um personagem próprio.
Wolverine e Dentes de Sabre fogem juntos e lutam diversas guerras ao longo do tempo. Até que são contatados por William Stryker, que quer fazer uso de seus poderes para montar uma equipe de mutantes que trabalharia para o governo. Aqui já vemos severas diferenças para o material original. O Time X tem Blob, Deadpool, Bradley, Agente 0 (que seria o Maverick tecnicamente) e John Wraith. Alguns já tinham no material base, como Wraith, Logan e Dentes de Sabre, mas outros nem sonhavam em estar no time, como Blob.
Stryker quer achar um metal raro chamado Adamantium. Depois de muita matança, Logan vê que aquilo não era para ele, em virtude da quantidade enorme de assassinatos, abandona seu irmão e resolve seguir uma vida de paz. Essa vida é trabalhando como lenhador e namorando Kayla, que em teoria, seria a Raposa Prateada. Kayla é mutante, com o poder de, ao tocar as pessoas, fazê-las atenderem aos seus pedidos.
Então, depois de um tempo Stryker aparece e pede para que Logan volte ao time, alegando membros do Time X estavam sendo assassinados. Wolverine recusa. Depois de uns dias, ele encontra sua esposa Kayla morta, e pelas pistas, deduziu que Dentes de Sabre foi o responsável. Wolverine o encontra num bar e é facilmente derrotado.
Resgatado por Stryker, Wolverine ainda suspeita dele. Porém, aceita a oferta de ter sua vingança. A oferta nada mais é do que se submeter ao processo de injetar adamantium em seu esqueleto. Wolverine sobrevive ao processo, graças ao seu poder de cura, e resolve fugir quando descobre que Stryker tentou apagar o seu cérebro. Ele vive um dia em uma casa habitada por um casal de idosos. No outro dia, Stryker ataca a casa e assassina o casal. Porém, sem sucesso com Wolverine, que os ameaça de morte.
Wolverine encontra John Wraith, ex-membro do time X e Blob. Após uma luta, Blob revela que Gambit pode dar a Wolverine as informações necessárias para ir atrás de Stryker. Logan vai até Gambit e acaba também confrontando Dentes de Sabre. Depois de muita briga, Gambit é convencido de ajudar Wolverine.
Chegando até o local de Stryker, Wolverine descobre que Kayla está viva e que sua morte foi forjada para que ele se submetesse ao processo de injetar adamantium. De coração partido, Logan sai, mas retorna quando vê que Stryker ordenou matar Kayla. Logan derrota Dentes de Sabre e parte em busca para salvar os mutantes presos por Stryker, dentre eles, rostos conhecidos como Ciclope, Emma Frost e Mercúrio.
Então, Stryker usa sua última arma: O “Deadpool”, que nada mais é do que o Wade Wilson do início do filme, com todos os poderes de outros mutantes. Logan o derrota com ajuda de Dentes de Sabre. Enquanto isso, o Professor Xavier vai até o complexo e ajuda Ciclope e os demais mutantes a escaparem. Após uma grande destruição, o confronto de Wolverine com Stryker acaba mal, com Logan perdendo a memória depois de levar dois tiros na cabeça, de balas de adamantium. Kayla usa seu poder para fazer Stryker andar até não poder mais e sair do local. Wolverine só consegue ser lembrado por Gambit que seu nome é Logan, e chegamos ao fim do filme.

O que deu certo:
- A primeira parte

A parte da infância de Wolverine foi curta, mas bem satisfatória. O ponto principal ali foi a mudança, para que Cão fosse na verdade, Dentes de Sabre. O Cão não é um grande personagem nas hqs, além de nunca ter tido um enredo minimamente decente ao longo de sua trajetória. Ao contrário de Dentes de Sabre, o maior inimigo de Wolverine, agora com um drama a mais.
A abertura do filme com as guerras realmente é uma sequência sensacional, mostrando a evolução dos dois irmãos ao longo do tempo. Ótima trilha sonora também.
Apesar de nos quadrinhos Logan ter sido sequestrado, infelizmente isso não seria possível no universo cinematográfico. Em X-Men 2, de 2003, Stryker diz a Wolverine que ele foi “voluntário para a experiência”, enquanto era interrogado do lado de fora de sua base, no Lago Alkali. Então para manter uma coerência com o universo cinematográfico, o filme da origem teve de ser assim. O plano foi bem feito, apesar de nada muito brilhante, foi o suficiente para justificar o porquê do processo.

- Dentes de Sabre

O melhor do personagem no cinema. Tyler Mane, em X-Men (2000) fez o que pôde, mas Liev Schreiber simplesmente nasceu para o papel. Estilo de luta, a forma de falar ameaçadora e até mesmo a parte visual ficaram excepcionais, sendo um dos poucos pontos que salvaram dentro do filme.

O que deu errado:
- Uma mudança radical de proposta
O início do filme é focado numa espécie de relação de família destruída que Logan teve com seu irmão Victor. A coisa vinha sendo bem pessoal durante a primeira metade do filme. Porém, depois de receber o adamantium, a coisa desanda bruscamente. Apelação para o humor em partes desnecessárias, e a tentativa de fazer quase que um “X-Men” com os personagens do filme. No que isso deu? Num verdadeiro show de horrores que foi o ato final do filme.

- A hq Arma X vs X-Men Origens Wolverine
Qual é a grande graça de Arma X? Vermos que o processo de injetar adamantium nos ossos de Wolverine levou tempo, que ele foi submetido a simulações, até que escapou. Vemos cada detalhe do processo até sua conclusão. No filme? Digamos que se tivemos 5 minutos de Arma X foi muito.
Posso tentar entender um pouco o lado da Fox. Ora, fazer um filme focado apenas na parte cirúrgica da coisa pode ser chato para a audiência, que, por parte do público médio, quer ver o Wolverine ser herói e fazer o que ele fazia nos filmes dos X-Men. Contudo, se você tenta partir para uma proposta de fazer um filme “Origem”, deve também se ter a noção de que alguns sacrifícios precisam ser feitos, e isso prejudicou demais o andamento do filme, que teve que inventar uma história heroica e não focar no que deveria ter focado.

- MUITOS personagens: Qual o propósito?
O filme se chama X-Men Origens: Wolverine. Seu objetivo: Contar a origem de Wolverine. Então me explique: Por que personagens como Ciclope, Emma Frost, Professor Xavier, Blob, Gambit, Deadpool (e outros) estão fazendo no filme? E para piorar a situação, foram personagens pessimamente caracterizados, como veremos a seguir:
* Ciclope e Emma Frost

Para começar, nenhum dos dois deveria estar no filme. Claramente X-Men Origens tentou dar uma certa “grife” para o filme com personagens famosos. Bola fora. Ciclope tem seus poderes representados errados, já que seus raios óticos queimam as coisas. E Emma Frost, bom, não é do Clube do Inferno, não é telepata e ainda é irmã de Kayla. Ai ai...

* Gambit

Poderes mal representados, sem sotaque, péssimo visual e claramente, estando no filme por uma demanda de fãs. Se teve um personagem que caiu de paraquedas e não sabia o que estava fazendo lá, esse foi Gambit.

* Deadpool

Deadpool é uma das grandes falhas de X-Men Origens Wolverine, e motivo para muitos odiarem a Fox até hoje. O personagem foi cercado de hype, teve uma cena como Deadpool, pra depois se tonar “Deadpool”, um verdadeiro apanhado de todos os poderes mutantes que Stryker conseguiu juntar. Careca, com marcas no corpo, boca tapada e lembrando muito o Baraka de Mortal Kombat, Deadpool foi uma decepção.

Curiosidades
- O filme acabou vazando mais cedo na internet, em uma versão com os efeitos especiais sem estarem finalizados. A ironia é que a versão final do filme também tinha efeitos “duvidosos”.
- Gavin Hood quase abandonou o filme, após descobrir que grande parte de seu trabalho seria regravada a mando de executivos da Fox, demonstrando que a produção do filme foi bastante conturbada.

Wolverine Imortal

Wolverine Imortal foi lançado em 2013, se passando após o filme X-Men 3. Foi dirigido por James Mangold e produzido pela Fox. A ideia aqui era adaptar a famosa hq de Wolverine que se passa no Japão. As coisas melhoram muito em relação ao filme anterior, mas ainda com algumas falhas que veremos a seguir.

Hqs que serviram de inspiração
- Eu, Wolverine

Essa é A hq de Wolverine. Chris Claremont e Frank Miller repaginaram o personagem por completo, o tornando mais tridimensional, e estabelecendo um laço entre Logan e o mundo oriental, bem oposto à sua personalidade. É uma minissérie em 4 edições, tendo sido a primeira revista solo do personagem, lançada em 1982.
O enredo é bem simples. Wolverine manda cartas constantes a Mariko e percebe que todas vem sendo devolvidas. Então, resolve ir até o Japão ver o que está acontecendo, acabando se envolvendo em um problema ainda maior com o clã Yashida e seu líder, o Pai de Mariko, Shingen.
Bom, como podemos definir o que é esta hq para Wolverine? Ela é a estória mais importante para o personagem durante sua trajetória. Chris Claremont desenvolveu dentro da minissérie os princípios mais básicos do personagem que permaneceram por longos e longos anos. O trabalho foi tão bem feito, que o roteirista passou inclusive a ter mais interesse no personagem (onde mais tarde, iniciaria sua série mensal, em 1988). Dentro da hq, o trabalho foi para mostrar que Logan, embora tivesse aquela aparência, além de seu comportamento solitário e temperamental, tinha um coração de ouro e um forte senso de honra. É uma ótima sensação ler a hq e ver, que mesmo com seu fator de cura debilitado, Wolverine não se torna necessariamente pior, mantendo sua honra e coragem durante os combates. É indispensável para quem quer conhecer o personagem.
Vale lembrar que essa história continua em mais dois números na revista dos X-Men, onde temos o evento do casamento de Logan e Mariko, mas que acaba não se concretizando. Outros vilões surgem na história, como o Samurai de Prata e a Víbora. Ambos que estarão presentes no filme.

- Logan

É uma minissérie de três partes, roteirizada por Brian K. Vaughan, com arte de Eduardo Risso. Wolverine volta ao Japão para resolver um problema antigo. Enquanto ele está no presente, vai tendo lembranças do período que foi prisioneiro e sofreu com a explosão de uma bomba em território japonês. Essa hq é forte inspiração para o início do filme

Enredo
Durante o começo do filme, o diretor já logo se preocupou em fazer a ligação de Wolveirne com o Japão. Logan era prisioneiro de guerra, e ajudou a salvar o jovem Yashida de uma explosão de bomba atômica. O jovem quis presentear Wolverine com sua katana, mas Logan recusa.
Logo, voltamos ao tempo presente. Logan está recluso no Canadá, em virtude de ter assassinado Jean Grey (acontecimento de X-Men O Confronto Final). Nesse início e durante o filme, Logan é atormentado com diversas visões dela morrendo, ou tentando o convencer de não lutar mais. Depois de ver que caçadores torturaram um urso próximo ao local onde estava morando, Logan vai acertar contas com os caçadores no bar e é abordado por Yukio. A mando dos Yashida, ela quer que Logan vá até o Japão, pois o mestre dela (sim, aquele mesmo que Wolverine salvou na guerra) quer vê-lo.
Depois de muita discussão, Wolverine vai ao Japão. Yashida o encontra, já praticamente no fim de sua vida, mas oferece uma proposta: Logan cederia seu fator de cura a Yashida, poderia morrer e viver em paz, enquanto Yashida conseguiria viver para sempre. Logan recusa, dizendo que Yashida jamais deveria desejar isso. Enquanto estava dormindo, uma mulher misteriosa coloca um nano robô dentro de Logan, que tornaria seu poder de cura limitado.
Yashida morre. No funeral, eles são atacados pela Yakuza. Logan foge com Mariko até uma casa, na mesma cidade que Wolverine resistiu a bomba nuclear e salvou Yashida. Enquanto isso, descobrimos que os ataques são responsabilidade de Víbora e Harada, dois funcionários da empresa de Yashida.
Mariko e Logan acabam se apaixonando durante sua estadia na casa. Mariko depois é sequestrada. Ainda debilitado de sua cura, Logan não consegue resgatá-la. Yukio chega ao local e ajuda Logan na busca por Mariko. Ao chegar no centro dos Yashida, Logan descobre que tem um robô dentro de si e irá fazer uma auto cirurgia para tirá-lo. Enquanto isso, Shingen, pai de Mariko, é traído por Víbora que o deixa fora dos planos do sequestro de sua filha. Shingen parte para confrontar Yukio. Quando Wolverine acorda, ele reage e mata Shingen, indo até a localidade onde Mariko estava.
Wolverine luta mas é derrotado pelos ninjas. Víbora o ameaça e também a vida de Mariko. Logan escapa e precisa lutar contra uma armadura de Samurai feita de adamantium, basicamente uma referência ao Samurai de Prata. Logan perde parte de suas garras de adamantium, que são cortadas graças a espada de adamantium do robô samurai, que além de indestrutíveis, também continham calor. A surpresa vem: Yashida era o controlador do robô, e armou o plano para obter forçadamente o fator de cura de Wolverine. Yukio derrota a Víbora e Logan e Mariko derrotam Yashida.
Logan então volta para onde estava morando. Na cena pós créditos, ainda no aeroporto, é confrontado por Magneto e por Professor Xavier, que avisam que um perigo aos mutantes vem se apresentando. Era a ponta para Dias de um Futuro Esquecido.

O que deu certo:
- O elenco de atores como um todo
Repleto de desconhecidos, mas que fizeram um bom trabalho. Mariko chega até a ter mais personalidade que sua contraparte das hqs; Uma Yukio condizente com o material base, assim como outros brilhos como Jean Grey, que faz pequenas aparições perturbando a mente de Wolverine e Shingen, o vilão mais qualificado da trama.

- Hugh Jackman e seu melhor trabalho como o personagem

Falei dos atores, mas este merece destaque. Aqui, definitivamente, Hugh Jackman É Wolverine. Um trabalho impecável nos diálogos, cenas de ação, relacionamento com os personagens e passando toda a frustração que é a vida do personagem. Melhor impossível.

- As cenas de ação
Fisicalidade e poucos efeitos especiais. Se dá pra definir as cenas de ação deste filme, seria nesta frase. Vai ser difícil ver outros filmes de heróis trabalharem cenas de lutas mais humanas e não comparar com Wolverine Imortal. Um ótimo trabalho por parte dos atores, diretores e dublês.


- A Adaptação do enredo original
Muitas reclamações (muitas vezes mais implicantes do que certas) oriundas da Fox é o que ela faz com os enredos originais das hqs. Em Wolverine Imortal era praticamente impossível manter o enredo idêntico a hq, principalmente em virtude de Wolverine não conhecer Mariko previamente nos cinemas, além do fato que o Logan do cinema era bem mais forte em termos de resistência se comparado ao Wolverine dos anos 80, o que atrapalharia se Shingen, um humano que luta bem com espadas fosse o único inimigo. James Mangold contornou bem esses aspectos e fez um enredo diferente sim, mas que manteve o principal: a essência da hq. Wolverine está lá lidando com um mundo antagônico a sua personalidade, e vivemos, acima de qualquer outra coisa, a jornada do personagem. Pontos para a Fox.

O que deu errado:
- Os vilões
Víbora estava totalmente fora de tom com o filme. Por não poderem usar a Víbora das hqs, por ser propriedade da Marvel Studios, fizeram uma mutante cobra que... não combinou em nada com o tom do filme.
O personagem Harada deveria ser o Samurai de Prata, mas foi um arqueiro, supostamente protetor de Mariko. Ficou muito subutilizado na trama, praticamente sem ele, o filme seria o mesmo.
Yashida acabou tendo de ser o Samurai e o grande mestre dos planos para que fizesse sentido dentro do enredo, mas ainda assim, muito caricato para um filme humanizado e sério.

- O fim do filme e Origens de novo
Um filme focado no personagem, no fim, acaba apelando para ser mais parecido com as outros filmes de super-herói, e ainda entrando em contradição com todas as entrevistas que Mangold deu, alegando que seu filme era diferente. Sim ele é, em 80% do tempo. Mas o ato final, mais especificamente, a partir da batalha com os ninjas, é muito abaixo da qualidade do resto do filme, o que é uma pena.

- Complicando coisas simples
Esse erro é o menos relevante, mas ainda assim, é bom constatarmos. Samurai de Prata é o mutante japonês. Os demais, eram humanos. Por que no filme a Yukio tem de ser mutante? E além disso, qual a razão para não termos quem sabe, uma disputa de poder dentro da Yashida, com o Samurai de Prata tentando ascender ao poder sequestrando Mariko e tendo um embate com Logan? Seria mais simples, mas funcionaria melhor do que as enormes voltas que James Mangold deu no filme.

Logan

Ainda para estrear, previsto para o dia 3 de março, Logan será provavelmente o último filme solo de Wolverine e de Hugh Jackman. O longa também será dirigido por James Mangold e contou com o trailer mais visto da história dos filmes mutantes. Também, não é pra menos, como vocês podem ver abaixo.

Prévia do filme
- A hq O Velho Logan

De autoria de Mark Millar e Steve Mcniven, estamos em um futuro alternativo onde os vilões venceram os heróis. No caso de Wolverine, uma tragédia ocorre em relação a sua equipe, os X-Men, que o faz desistir da vida de herói. Num estado deplorável onde se vê obrigado a pagar uma enorme dívida que tem com a Gangue dos Hulks, Logan é encontrado por Gavião Arqueiro, onde parte para uma viagem que mudará sua vida pra sempre.

- O que com certeza será diferente?
Praticamente toda a história conta com os Vingadores, propriedade da Marvel Studios. Então diversas mudanças no elenco de personagens acontecerão. Temos até agora confirmados no filme, além do protagonista, Professor Xavier, Caliban, X-23, Donald Pierce e os Carniceiros além do doutor Zander Rice, responsável pela clonagem do dna de Wolverine em X-23.
O enredo tende a ser uma viagem, assim como na hq, pegando também a ideia de um Wolverine que quer fugir da luta, mas a luta não foge dele. A ambientação também tem muita semelhança com a hq, sendo majoritariamente, em desertos.

- O que esperar em termos de tom?
Logan será o primeiro filme de Wolverine para maiores de 18 anos, com certeza uma resposta a recepção absurdamente positiva de Deadpool, que foi a maior bilheteria da história da Fox e da história dos filmes para maiores de 18 anos. Poderemos ver Wolverine cortando tudo sem dó, mas vale lembrar: isso não é o CRUCIAL para o filme ser bom, longe disso.
James Mangold já disse em diversas entrevistas que o filme será focado no desenvolvimento dos personagens, e sem exageros. Podemos dar um voto de confiança, apesar de ele ter deixado de cumprir isso por uma pequena porção no filme anterior, onde prometeu a mesma coisa.

- A análise

Em breve...

sábado, 7 de janeiro de 2017

Discutindo o Batman da trilogia Cavaleiro das Trevas

Texto por Matheus Gonçalves

A trilogia Nolan, independentemente do que for colocado em questão no texto a seguir, é, na opinião do autor, algo que não vai se repetir no futuro do cinema de super-herói. A audiência da época decorrida entre 2005 e 2012 presenciou algo inédito na indústria. Nunca antes pode se dizer que um filme baseado em histórias em quadrinhos pudesse ter um elenco tão poderoso, incorporando praticamente cada nível de seu roteiro (do protagonista até o mais simples dos personagens de apoio). Não obstante, nunca se presenciou um filme de tal magnitude, onde o trabalho colocado nele era para soar duradouro, como se cada filme fosse o último, mas ao mesmo, tempo olhando para trás, é possível ver que eles realmente traçaram sua própria mitologia de Gotham e saga do Cavaleiro das Trevas. Algo que, no atual momento dos filmes baseados em histórias em quadrinhos, já não é possível vislumbrar devido a necessidade de se estipular um universo bem coerente está, visivelmente, acima de produzir uma boa narrativa que cative seus espectadores.
Mas é claro que cada época possui suas características, e não é porque elas são diferentes que nada de qualidade possa sair de seus planos. O propósito dessa apresentação é, apesar das críticas vindouras, ressaltar que a trilogia em questão foi um feito sem precedentes. Nunca foi ou será feito nada igual em termos de produção.
Bravatas de lado, é importante levar a atenção para a qualidade dos filmes, sob a luz do material original e chegar a uma decisão final se houve, ou não, um respeito ao personagem Batman e a toda sua mitologia enquanto Guardião de Gotham.

Batman Begins (2005):

Iniciando do primeiro longa da trilogia, que se propõe, diferente de outras adaptações que vieram antes, em contar a origem de Bruce Wayne. Todos os filmes que antecederam o trabalho de Christopher Nolan não pouparam tempo em mostrar a razão do Batman ser como ele é. Todos se preocupavam em mostrar o assassinato dos pais e a queda na galeria subterrânea que eventualmente o levaria a um medo de morcegos, mas nunca contaram o que está por de trás desses eventos, quem o pequeno Wayne realmente se tornou depois da morte de seu mundo e razão de viver.
A equipe de Begins conseguiu a coragem para trazer esses aspectos para quem está vendo a telona. Contudo, o leitor desse texto que já possui um conhecimento do personagem, é capaz de reconhecer que explicar esses tipos de coisa para uma audiência leiga não é uma tarefa fácil. O espectador deve sentir a dor de Bruce, e sua total falta de esperança para o que está a sua frente, e que a única coisa que o resta é a vingança contra o mesmo crime que acabou com sua vida, e está devorando a alma de sua preciosa cidade.
Em outras palavras, a narrativa que se propõe a contar a origem do Batman deve conduzi-la de tal forma que se perceba que o mundo dele caiu depois daqueles dois tiros. Que o trauma foi grande o suficiente para ele não ter a capacidade mental de usar uma arma ou de matar.
Porém, coragem para trazer um assunto tão delicado à tona, não é o suficiente para torna-lo convincente para a audiência. Tudo começa com como os Wayne foram assassinados, sua saída do teatro é precoce e graças a esse fato, eles se veem abordados por Chill que os assassina a sangue frio. E toda essa situação poderia ter sido evitada se Bruce não tivesse medo da peça, que o remetia aos eventos no subterrâneo da Mansão Wayne.
Dessa maneira, a narrativa entrega o assassinato de uma maneira que houve atitudes de terceiros, além do próprio crime, que acarretou na morte dos pais de Bruce Wayne. O grande fator que circunda a morte dos Wayne é o fato de que poderia ter sido qualquer um morrendo naquele mesmo beco por outro assaltante comum. Thomas e Martha Wayne eram cidadãos modelo na cidade, pessoas importantes e queridas pelas pessoas de Gotham e que simplesmente morreram como simplórios. É a partir desse acaso, que nasce o grande trauma do personagem, pois seu mundo foi destruído sem razão alguma. Mas com Bruce sendo “responsável” pelo assalto, não torna a sua jornada de conquista do medo como algo, única e exclusivamente, para vencer a mente criminosa, e sim como uma atitude de redenção pelo que foi feito, quando a grande dor que Bruce sente pela morte de seus pais era a de sua inocência, da sua incapacidade de ter feito algo para parar aquilo que estava acontecendo em sua frente. Vendo por essa forma, Batman não passa a ser um símbolo de vingança implacável e sim de redenção, esta que por sua vez, pode chegar a um fim.
E é a partir dessa morte que Bruce desenvolve outro tipo de trauma. No decorrer de seu treinamento, ele deixa claro sua ira para contra o assassino de seus pais e é guiado pelo seu mestre, Ra’s al Ghul a mata-lo quando dada a chance. O personagem então não tem suas morais guiadas pelo trauma da morte sem sentido de seus pais e por tudo aquilo que eles representavam para ele, e sim pelo ódio de sua covardia. Então orientado pelos dogmas de seu professor, ele vai para Gotham conseguir a sua vingança e consertar seus erros do passado.
Ao chegar em Gotham, Bruce demonstra total descaso com o legado de sua família, seja desrespeitando Alfred, ou por dizer que a mansão não significa nada para ele. Essa atitude demonstra uma imaturidade do personagem perante seu trauma, mostrando que ele não converteu seu desamparo em uma raiva mal direcionada e mal construída perante o legado das pessoas que lhe foram tiradas dele. O que não faz sentido com o enredo do filme e muito menos com o cânone (ex.: O Longo Dia das Bruxas, onde Batman sempre se refere à Mansão Wayne como a “casa do meu pai”, demonstrando um zelo pelo que sua família deixou para trás, sequer ousando a tomar posse daquilo que uma vez foi deles).
Bruce se dirige a audiência de Chill quando na saída tenta mata-lo e, para a sua surpresa, vê que a máfia de Carmine Falcone chegou a ele antes e o matou bem na sua frente. Quando finalmente sai do tribunal, Wayne tem uma conversa com seu interesse amoroso, Rachel Dawes, sobre o que ele viu. Durante o diálogo, ela abre os olhos de seu amigo, orientando-o a olhar além de sua própria dor e vingança. E que se quisesse fazer alguma coisa para deixar seus pais orgulhosos, deveria levar seus esforços para Gotham e não singularmente para o assassino de Thomas e Martha Wayne. Por fim, Bruce confessa que tentou matar Chill, exibindo a arma que usaria para atirar. Num ato de raiva, Rachel agride-o com um tapa, e diz que seu pai teria vergonha do que pensou em fazer.
Comovido e renovado pelas palavras de sua amiga, ele joga sua arma no rio de Gotham, prometendo nunca mais empunhar uma arma ou matar novamente. Ele então sai de Gotham novamente, dessa vez sem avisar a ninguém, e passa anos viajando pelo mundo e entendendo a mente criminosa, adquirindo novas noções sobre o certo e o errado até que quando é levado ao último teste da Liga das Sombras, seu mestre o obriga a matar. Bruce já amadurecido pelas lições aprendidas, decide não fazê-lo e escapa do esconderijo, após destruí-lo assim como salvar seu professor desmaiado no processo.
Ao apresentar essas sequências com o que foi explicado anteriormente, a conclusão que se chega é que os valores que moldam a personalidade do protagonista da trilogia, não tem as mesmas origens do cânone. Pelo contrário, no material original, as morais de não matar, não empunhar uma arma e olhar além de seu ódio, perceber que a sua vingança é contra um crime e não contra uma pessoa, são desenvolvidas pelo próprio Bruce Wayne a partir de seu trauma. Ele não suporta armas, porque viu seus pais morrerem graças a elas, ele não mata porque a morte o mostrou o valor da vida e que para vencer o conceito do crime, ele precisa vence-lo com uma moral superior a de seus inimigos, dar o exemplo às pessoas de bem, para que elas percebam que há esperança.
Enquanto no filme, Wayne consegue esses valores a partir de Rachel. E o que isso influencia em sua moral, é que, como foi citado no início desse texto, a incapacidade da equipe que escreveu o roteiro e, o trouxe a vida, de mostrar um Bruce realmente traumatizado onde sua dor o matou para que Batman, sua vingança personificada pudesse tornar Gotham uma cidade onde sua perda jamais aconteceria novamente com ninguém. É possível ver que Batman era a única opção para Bruce, que se tornar o Guardião de Gotham era tudo que restava para ele, pois suas chances de uma vida normal morreram no beco do crime. Tornar os valores do Batman, virtudes de terceiros que foram passadas para ele não tornam Batman uma consequência, e sim uma escolha feita por um Bruce mal guiado pela sua raiva infundada contra Chill e as pessoas ao seu redor.
Na visão de um leigo, escolha e consequência pode não parecer muita coisa, mas serão nas sequências que isso será exposto como um grande problema para o personagem. Talvez a partir dessa reflexão, poderá ser explicado o motivo dos vilões se sobressaírem tanto em seus longas, quando, na maioria das outras adaptações para diferentes mídias (jogos, quadrinhos, series, animações) é o próprio Batman que chama a atenção quando aparece.

O Cavaleiro das Trevas (2008):

Finalmente chegando na sequência, o filme introduz um Batman já experiente com o submundo de Gotham, onde é deparado com uma nova esperança, personificada em Harvey Dent, mas também com uma ameaça desconhecida, o Coringa. Durante a narrativa Gordon, Harvey e Batman conduzem uma investigação contra a máfia através de notas marcadas. Toda essa investigação os leva ao principal contador da organização, o empresário chinês Lau, que movia o dinheiro e mantinha fortes informações sobre a maioria dos criminosos importantes de Gotham. Batman consegue captura-lo e Harvey consegue, graças a ajuda do Homem-Morcego, prender 549 criminosos em um único movimento judicial. Bruce vendo o quão forte é a presença de Harvey cogita em parar e busca mais uma chance de vida normal com Rachel, que o rejeita.
O problema com essa sequência de eventos pode ser notado do ponto de vista do filme, mas principalmente do ponto de vista das histórias em quadrinhos que servem de base para nortear o longa. Em primeiro lugar, Batman falha ao observar que Harvey só prendeu esse número de criminosos porque conseguiu trazer Lau para a justiça saindo da jurisdição que prende a polícia e a promotoria. Logo, a polícia jamais faria tal ação se não fosse por ele, então não faz nenhum tipo de lógica a vontade de parar de Bruce nesse momento da história.
Dessa vez olhando essa situação do cânone, Batman pensar em parar a sua cruzada e deixar essa responsabilidade a terceiros é algo absurdo. Como já foi explicado, Batman é uma condição psicológica de Bruce Wayne, é o único caminho que ele tem para conseguir viver suportando a dor da perda de seus pais. Para o Cavaleiro das Trevas, não existe uma “vida além da caverna”, isso já lhe foi negado desde a morte de seus pais, quando todo o sentido abandonou sua vida (ex.: O Retorno do Cavaleiro das Trevas, onde ao parar por 10 anos de agir como Batman, Bruce tem alucinações, insônias, e devaneios com o tempo que seus pais foram mortos, como se seu subconsciente estivesse o motivando novamente a voltar, porque ele precisa disso).
O motivo dessa decisão de Bruce, está no problema de Batman Begins, onde ser Batman não é uma consequência e sim uma escolha do protagonista, guiado pela sua parceira romântica, de olhar além de sua dor e tentar salvar a sua cidade. Logo quando Bruce percebe que já deu de tudo e que outras pessoas estão dispostas a carregar seu fardo por ele, procurar uma vida normal é a opção mais lógica, porque na narrativa que o filme desenvolve, ele já superou a morte dos pais, e pode seguir em frente.
Então quando a máfia contrata o Coringa para resolver o problema, no caso o Batman, ele resolve atacar a moral e os valores do personagem. Ele começa matando pessoas de grande influência em Gotham, pessoas que estão dispostas a lutar contra o crime e a injustiça sem medo. Ao causar essa onda de terror contra a cidade sob a razão de Batman não se entregar, a cidade se volta contra Batman e seus aliados enquanto mais pessoas morrem e Harvey se vê cada vez mais consumido pela situação quando o próximo alvo de Coringa é Rachel, sua parceira (o que completa o triângulo amoroso entre Harvey, Bruce e Rachel).
Bruce se vê incapaz de fazer algo a respeito enquanto justiceiro, descobrindo os limites de Batman, ao ver que seu símbolo não consegue suportar toda essa situação e todos os seus valores sendo jogados contra ele mesmo. Então ele resolve se entregar para a polícia para que a onda de matança de seu vilão se encerre. Mas quando está prestes a se entregar, Harvey o faz antes declarando-se Batman e é levado pela polícia.
E nessa parte do filme que é apresentado um grande defeito, talvez o maior do filme. Nos quadrinhos, não é surpresa que o Coringa leva o Batman a tomar decisões difíceis, fazendo atos cada vez mais monstruosos e revertendo a moral de sua antítese contra ele. O grande duelo entre eles está no fato, explicado pela própria narrativa, que o Cavaleiro das Trevas é incorruptível, mas seu arqui-inimigo não vai parar de testá-lo (o caso do objeto imparável encontrando um objeto imóvel).
Seu maior vilão sempre entregará situações onde Batman terá que provar sua inflexibilidade perante suas morais de não matar, não usar armas e de prezar pelo seu juramento até o fim. Enquanto o Coringa quer quebrar a alma de Gotham expondo as fraquezas de seu salvador, o Homem-Morcego quer salvá-la mostrando o melhor caminho. E a grande pergunta para os arcos onde eles são levados a se enfrentar é sempre o que Batman terá de fazer para se mostrar incorruptível, ou o que ele terá que sacrificar para vencer.
Contudo, nessa decisão, Batman não consegue tomar a decisão que ninguém mais consegue, ele é incapaz de ver o caminho correto. Ele se rende aos caprichos de seu inimigo e coloca o trabalho de sua vida em risco graças a essa incompetência. Em outras palavras, ele sucumbe a expectativa do que ele fará em seguida, pois esse Batman é previsível em suas soluções, porque para ele falta a motivação que é tão forte e viva nas ações do Batman canônico: a questão do Batman ser a única escolha, a consequência.
E não para por aí, após a prisão do Coringa ele se vê numa situação de dois reféns em dois locais diferentes. Harvey, a esperança de uma Gotham melhor, e Rachel, o amor de sua vida, a chance de uma vida normal. Batman então pressionado mais uma vez a mostrar sua verdadeira face, aquilo que ele não é capaz de sacrificar. Quando o momento chega Bruce escolhe Rachel invés de Harvey, mostrando que ele não é capaz de sacrificar uma vida normal pelo seu compromisso com Gotham. Mas, antecipando a atitude futura do Cavaleiro das Trevas, ele entrega o paradeiro das vítimas invertidos. Fazendo Batman nesse tempo todo ir atrás do Harvey e não da sua parceira, culminando na sua morte e em sequelas no sobrevivente, que no futuro se tornará Duas Caras.
Sobre essa escolha, já foi explicado sobre ambos os aspectos, tanto sobre o fato do Batman não poder ter uma vida normal quanto ele se render às exigências de seus rivais e a importância de tomar a decisão certa, que não parece visível para muitos, mas é, e deve ser, para ele. Mas vale frisar que essas decisões são feitas para mostrar quem é o protagonista, o papel de um bom vilão é jogar ao herói decisões difíceis que mostram quem ele realmente é, e o que ele está disposto ou não a sacrificar pela vitória. E essas decisões só ressaltam que esse Batman está longe do ideal e que tem muitas decisões que não combinam com quem ele deve ser realmente, segundo seu cânone.
Por fim, Batman se encontra com Harvey morto pelas suas mãos (nem é necessário destacar esse erro e explica-lo), e precisa tornar essa situação a favor do bem-estar de Gotham. Sob pressão, ele assume a responsabilidade pelas mortes causadas por Duas Caras e Coringa e se torna o grande vilão de Gotham para que a polícia possa ter força e encerrar o crime organizado de uma vez por todas.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012):

O terceiro, e último, capítulo da trilogia começa imediatamente expondo seus erros nos primeiros minutos de tela. Bruce depois dos eventos de Cavaleiro das Trevas está em reclusão, investindo em um projeto de energia limpa, patrocinado pelo que viria a ser Talia al Ghul, e o maior problema desse atual estado do personagem está em suas razões.
Bruce não consegue superar a morte de Rachel e, portanto, se vê incapaz de sair no mundo, achar uma vida, pois essa oportunidade foi tirada dele pelo Coringa. E então, motivado pela situação de Gordon e a conversa com Blake na mansão, Wayne se vê forçado a se tornar o Batman uma vez mais, já que não lhe resta mais nada além de terminar o que começou.
A visão correta de um Batman sem limites para sua determinação e coragem nos é apresentado ao longo do tempo nesse filme. Contudo isso é feito pelas motivações erradas. Bruce só consegue ver que a única saída para sua vida é o Homem-Morcego, depois que sua chance de uma vida normal é encerrada. Em outras palavras, é como se Rachel fosse o casal Wayne do cânone, cujas mortes servem de trauma e luto para o protagonista que não vê outro caminho a não ser honrar suas memórias e legado salvando a cidade do mal que os matou.
Essa observação fica mais latente ao longo da trama, o espectador vê um Bruce totalmente mudado, uma pessoa que o único fim possível para a sua vida é morrer pela sua guerra contra crime. É possível enxergar o seu desespero nas cenas do Poço, a cada ação de Bane, a audiência sente o sofrimento e a impotência do protagonista por não poder fazer nada para impedir. E quando o desespero era grande demais, ele cria forças para fazer o impossível e escapar do Poço direto para Gotham e salvá-la. Tudo que foi criticado nos dois últimos longas não se aplica a esse, finalmente vê-se a motivação que não estava lá em primeiro lugar. Pela primeira vez no cinema, é contemplado uma versão bem similar ao Batman do material original, mesmo que pelas razões erradas.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge é o filme mais próximo do que deveria ser uma adaptação do Batman para o cinema. O personagem possui uma motivação que o deixa inabalável em suas convicções, e é testado ao longo de todo o filme sobre suas certezas e se ele está realmente disposto a sacrificar tudo pela cruzada. Para longas que estão por vir do Homem-Morcego, é de suma importância que essa característica do personagem não seja abandonada, porque não há nada que defina melhor ele do que sua moral inabalável e sua capacidade de tomar a decisão certa, que ninguém pode enxergar.